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A pensar morreu o Gisco...
Porque é que eu penso tanto? Às vezes custa-me desligar... Desligar desta cabeçinha, sempre a matutar. Eu chego a pensar no que penso, na tentativa de focalizar esta minha tendência para a saber evitar. Mas é mais forte que eu... Até quando bebo uns copos a mais, a única coisa que faço é pensar. Já estou farto. A noite já não me dá aquele prazer que me dava antigamente. Já saio por saír. A febre do sábado à noite já acabou, pelo menos para mim. Acho que tem a ver com a noite aqui de Caminha. São tantas as caras conhecidas, tantas as histórias com elas vividas... Pessoas que anteriormente julguei e que me julgaram a mim. Momentos bons e maus que vivi a partir de e com elas. O passado não deixa de me atormentar. Vivo em função dele e em função de escapar dele em simultâneo. Mas é impossível fugir de algo que anda sempre connosco. Talvez seja essa a principal causa do meu tédio, da minha incapacidade de me divertir. Já se passou muito dentro de mim e dentro dos outros com quem convivia... Já não nos conhecemos. Nada é como dantes. E as situações paralelas, que nos juntaram e separaram ao mesmo tempo, criaram um ambiente estranho, em que nenhuma das partes é sincera uma com a outra. E estámos num ciclo. Mentiras e verdades que são verdades e mentiras para cada um de nós, de formas diferentes. O caminho que percorri levou-me até aqui, pelo que não deve ter sido tão errado como pensei que era quando o percorria. Tudo tem um sentido, nada é em vão. Os passos em falso que dei, tornaram-se mais do que certos, agora que sei o que sei. É a velha história dos males que vêm por bem.

Esta foto foi tirada em 2003, altura em que sucumbia diáriamente à força cinzenta da cidade do Porto. Andava nostálgico, incapaz de aceitar o meu destino e percorrê-lo sem medos nem incertezas. O meu aspecto tinha mudado drásticamente. Andava desleixado, esgaziado e constantemente pedrado. O Porto fez-me mal... Ou terá sido a liberdade? ...
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